Escolher quem ouvir, um exercício de priorização

Atualizado: 29 de ago. de 2021


Um pouco antes da minha filha nascer minha mãe contou que a minha vó (mãe dela) disse a ela algo mais ou menos assim: "Minha filha, pega o que é bom e o resto você faz do seu jeito” e acrescentou: “Agora, digo o mesmo pra ti". Aquilo ficou nos meus pensamentos. Basta anunciarmos que estamos grávidas e todos têm algo para falar e dar opiniões: a família, os médicos, terapeuta, amigas, outras mulheres - sendo mães ou não. São muitos os “pitacos” e nem sempre estamos abertas a isso.

Demorei um pouco para aprender a lidar com isso, mas com o tempo percebi qual a importância para mim ouvir os outros. A escuta traz informação, conhecimento de quem já viveu, de quem está estudando e desenvolvendo algo sobre o assunto.Tive que priorizar, quais assuntos eram realmente importantes em cada fase e se eu teria recursos para lidar com as informações (ou até mesmo gravá-las). Ouvir, avaliar, ver o que serve para mim e deixar ir o que não serve foi uma das coisas que aprendi com a maternidade.

Mas não é fácil absorver tudo o que chega para nós, principalmente nos momentos em que estamos mais sensíveis como na gestação, no puerpério, ao receber um diagnóstico do nosso filho ou filha, ou ao retornar de licença maternidade quando a vida muda mais uma vez, por exemplo. Aí vem a ansiedade junto com as preocupações.

Por isso é bom respeitar o seu tempo e se ouvir. Se re(conectar) com a sua intuição. Uma mãe sabe o que seu filho precisa, se está diferente, se alguma mudança na rotina teve impacto. É quem o escuta, observa. Esse conhecimento vai trazendo segurança e se não dominamos um assunto, ao menos essa experiência vale para tomar decisões alinhadas com nossos valores ao procurar profissionais que possam nos apoiar.

Acredito que o segredo seja escolher as fontes que nos deixarão seguras, filtrar e selecionar aquilo que serve para nós. Saber quem queremos ter por perto para nos dar os famosos "palpites" e deixar a vida seguir. Acredito também que isso liberta e ao mesmo tempo traz tranquilidade ao saber que outras mulheres já passaram (ou passam) por isso e que não estamos sozinhas.

Afinal, a vida é feita de escolhas, não é mesmo? Inclusive nesse momento de distanciamento social estamos exercitando muito isso. Escolha quem você quer ter por perto nessa grande aventura que é maternar e lembre-se que você tem uma força, uma intuição que talvez não sabia que existia. Deixe fluir.


(Texto escrito para o blog Benditas Mães em 30/09/2020)










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