Quando me acolhi, dei o próximo passo

Atualizado: 24 de ago. de 2021


Tenho lido, conversado e pensado muito sobre tudo o que envolve acolher as mulheres mães em momentos críticos. Escolhi falar de dois em especial. Um deles é o puerpério, quando passamos por mudanças progressivas no corpo, na mente e tudo isso com um bebê no colo. O outro, essa invasão do escritório em nossas casas, resultado do trabalho remoto. Com toda a sensibilidade do puerpério e a vida ao vivo acontecendo no meio de reuniões, somos o que somos, sem personagens.


É um exercício: ter empatia; compreender que as transformações com a chegada de um filho impactam em todas as áreas da vida; que as dificuldades de administrar casa, escritório, escola em único ambiente são desafios recentes e todo mundo está aprendendo e fazendo o seu melhor.


Foram tantas as tranformações internas e informações externas quando a Marina nasceu. Hoje, mesmo depois de quase 3 anos, ainda processo algumas partes dessa história e vou transformando em elementos que me ajudam a compreender a forma que eu podia lidar, naquele momento.


Percebi que não estava conseguindo acolher a mim mesma. Sim, às vezes é necessário. Se permitir sentir, sofrer, chorar, achar que não vai conseguir dar o próximo passo. E quando é que eu parei para me acolher? Com ajuda de terapia e mentoria e eu lembro exatamente quando essa ficha caiu.


Já que estou falando de dois momentos críticos, foram duas as situações: a primeira foi aceitar que não estava pronta para receber todas as informações do diagnóstico da minha filha, que aconteceu no puerpério. Não pude participar de todas as consultas e conversas com os médicos, não queria ouvir, nem entender. Me acolhi, me libertei.


A segunda foi aceitar que minha filha faz parte da minha vida e sim, do meu trabalho. Logo que comecei o meu negócio, quando tive que explicar para clientes que em alguns horários a minha dedicação era exclusiva para ela, eu não conseguia dizer não. Me acolhi, me fortaleci.


Foram momentos importantes, onde acolhi o meu medo de enfrentar as informações do diagnóstico e tudo que poderia vir depois; o meu medo de empreender, de levar adiante algo que faz sentido para mim, que está conectado com o meu propósito.


Confesso que às vezes tenho a sensação daquele frio na barriga, mas lembro de que tudo que vivi até aqui não foi em vão e encontro razões para seguir. Volto a me acolher e o próximo passo vai surgindo naturalmente.

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